Governo mantém horário de verão em 2017; entenda os prós e os contras

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O Ministério de Minas e Energia anunciou na última segunda-feira (25) que o horário de verão será mantido em 2017. Nas semanas anteriores, o governo informou que cogitava acabar com a medida, após estudos realizados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) apontarem que ela não é mais tão eficaz do ponto de vista econômico como foi há alguns anos. O tema é mais complexo do que parece, pois, além de alterar o consumo de energia, modifica os hábitos dos brasileiros e também tem reflexo em outros setores da economia. Por isso, o fim do horário de verão divide opiniões.

Em 2008, a mudança nos relógios passou a ser contínua no Brasil, com o principal objetivo de diminuir o consumo de energia elétrica durante o pico da demanda – que acontece entre o final da tarde e início da noite. A ideia é proporcionar aos consumidores uma hora a mais de luz do sol por dia, adiando, assim, a necessidade de iluminação artificial. Dessa forma, as usinas termelétricas, que produzem energia a custos mais altos que as hidrelétricas, são acionadas com menos frequência durante esses meses. A mudança acontece no verão porque é a estação do ano em que os dias são mais longos.

Segundo dados do ONS, em 2016/2017 o horário de verão gerou uma economia de R$ 159,5 milhões ao governo. O número superou as expectativas, mas ficou abaixo da economia observada no período anterior,  2014/2015, que foi de R$ 162 milhões. A pesquisadora da FGV Energia, Mariana Weiss, esclarece que, com a medida, há uma redução média de 4,5% do consumo nos horários de pico, mas os resultados já foram melhores. “A tendência é que a economia referente a este programa tenda a diminuir, principalmente devido ao maior uso de lâmpadas mais eficientes, como as lâmpadas fluorescente e LED”, afirma a especialista.

A pesquisadora explica que uma lâmpada de 60W incandescente, ao ser utilizada 1 hora por dia, consome em média 4 vezes mais que uma lâmpada fluorescente equivalente de 15W – e até 10 vezes mais que uma lâmpada LED equivalente de 7W. Lembrando que a redução dos custos da tecnologia LED tendem a torná-la mais comum e acessível, colaborando para a eficiência no consumo.

Outra mudança nos hábitos brasileiros que tem reduzido a eficácia do horário de verão é em relação ao uso do ar condicionado. Com a disseminação do aparelho nas casas, comércios e escritórios, houve um aumento da demanda por energia elétrica também no meio da tarde, quando os termômetros registram altas temperaturas nos meses de verão. Essa observação levanta um debate sobre a necessidade de rever as regras do programa. “Será que ele não deveria ser mais flexível ao invés de necessariamente vigorar em três horas seguidas, entre o final da tarde e início da noite, nos dias úteis?”, questiona Mariana Weiss.

Apesar dos estudos do ONS apontarem menor eficiência da iniciativa, o Ministério de Minas e Energia manterá o horário de verão em 2017 devido ao baixo nível de água dos reservatórios das hidrelétricas, que vêm encarando meses de poucas chuvas. Para manter a oferta, será preciso, inclusive, importar energia elétrica da Argentina e do Uruguai. “Neste momento, qualquer iniciativa que reduza a demanda no horário de ponta é importante e o horário de verão consegue desempenhar este papel a um custo muito baixo”, esclareceu Mariana, lembrando que o programa continua apresentando resultados positivos.

Com a manutenção do horário de verão, as regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste deverão adiantar os relógios em uma hora a partir do dia 15 de outubro, permanecendo até o dia 18 de fevereiro de 2018.

Para o próximo ano, o governo considera fazer uma enquete para saber a opinião dos brasileiros quanto ao fim da mudança no relógio. “Apesar de seus benefícios, muitas pessoas não gostam do horário de verão por causa das alterações no cotidiano. Em geral, desgostam aqueles que já precisam levantar muito cedo e acabam levantando mais cedo ainda com a mudança”, lembra a pesquisadora da FGV. Por outro lado, os meses em que a medida está vigente proporcionam dias mais longos, que permitem aos brasileiros aproveitar a luz do sol por mais horas, inclusive após o expediente.

Nesse sentido, o fim do horário de verão poderá gerar impactos negativos especialmente nas áreas da economia ligadas ao lazer. “Sem ele, é possível que caia a receita de bares, restaurantes, serviços esportivos prestados em áreas ao ar livre, como praias, parques, lagoas, etc. Ou seja, o fim do horário de verão pode não ser positivo para o aquecimento da economia”, comentou Mariana. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP), o movimento dos bares do país aumenta 20% durante o verão.

Bandeiras Tarifárias

Além do horário de verão, outras políticas visam incentivar a redução do consumo de energia elétrica pelos brasileiros, como é o caso das bandeiras tarifárias. A diferenciação especificada na conta de luz torna a energia mais ou menos cara de acordo com as condições e custos da sua geração. Atualmente, o país tem 4 bandeiras:

  • Bandeira verde: condições favoráveis de geração de energia. A tarifa não sofre nenhum acréscimo.
  • Bandeira amarela: condições de geração menos favoráveis. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,020 para cada quilowatt-hora (kWh) consumido.
  • Bandeira vermelha – Patamar 1: condições mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,030 para cada quilowatt-hora (kWh) consumido.
  • Bandeira vermelha – Patamar 2: condições ainda mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,035 para cada quilowatt-hora (kWh) consumido

 

Fonte: Yahoo Notícias