MCTIC obtém apoio de US$ 7 milhões para aplicações do biogás na agroindustria

Recursos não reembolsáveis da Global Environment Facility (GEF) envolvem contrapartidas de US$ 45 milhões dos parceiros do projeto, com foco na região Sul.

O Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC) obteve em maio apoio da Global Environment Facility (GEF) para o projeto “Aplicações do Biogás para a Agroindustria Brasileira”, que deve mobilizar mais de US$ 50 milhões nos próximos cinco anos. O objetivo é promover o uso do biogás e do biometano para mobilidade e produção ao longo da cadeia de abastecimento agroindustrial.

Aproveitando as experiências da Itaipu Binacional no tema, o foco inicial do projeto será na região Sul. Itaipu já possui em sua frota oficial 43 veículos movidos a biometano produzido na Granja Haacke, uma das unidades de demonstração do CIBiogás. A granja, que atua em avicultura e bovinocultura de corte, está  localizada em Santa Helena (PR) e produz diariamente 1.000 m³ de biogás.

“Além da utilização em veículos leves, existem pesquisas em andamento para utilização em veículos pesados”, comenta o engenheiro da Coordenação-Geral de Desenvolvimento e Inovação em Tecnologias Setoriais (CGTS) do MCTIC, Gustavo Ramos. O engenheiro cita um dos parceiros do projeto, a fabricante sueca de veículos Scania.

Segundo Ramos, a ideia é envolver também outros produtores e empresas para testar e desenvolver, em conjunto, modelos ideais para a aplicação das inovações desenvolvidas.

O projeto tem pelo menos treze parceiros, entre empresas, instituições governamentais e de ensino. Atuam na coordenação MCTIC, CIBiogás, Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO, na sigla em inglês), Itaipu Binacional e Ministério de Minas e Energia. A Agência Alemã de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ, na sigla em alemão) deu assessoria técnica para  a submissão do projeto ao apoio da GEF.

Reprodutibilidade

“Como exigido em qualquer iniciativa do GEF, a ideia é que os modelos trabalhados e aprovados durante a execução do projeto  tenham aplicação em todo o território nacional e, até mesmo, em outros países com características semelhantes”, comenta Ramos.

De acordo com o engenheiro, o projeto deve olhar para quatro componentes: o arcabouço político-institucional; o fortalecimento das tecnologias e das cadeias de suprimento; a demonstração de um sistema de produção de biogás em áreas rurais, onde serão desenvolvidos modelos de negócio e um sistema de Mensuração, Relato e Verificação (MRV) de emissões; a operação e avaliação do sistema de MRV.

Contrapartidas de US$ 45 milhões

Cerca de US$ 7 milhões serão desembolsados pelo GEF como  recursos não-reembolsáveis para o projeto. A instituição, que aprovou o apoio ao projeto em maio, exige uma contrapartida mínima de US$ 45 milhões (financeira e não-financeira) dos parceiros.

A maior parte dos recursos virá da Itaipu Binacional, que deve aportar cerca de R$ 50 milhões, e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com mais R$ 30 milhões. A Copel deve destinar recursos de R$ 17 milhões. Também participam com recursos o Ministério das Cidades, a Fundação Parque Tecnológico de Itaipu (FTPI), MME, Banco do Brasil, Embrapa, FGV Energia, MMA e outros.

As contrapartidas, em sua maioria, são não financeiras, segundo Ramos. "Muitas delas se darão por meio de crédito a produtores rurais e empresas”, diz.

 

Fonte: Brasil Energia