No Informe de Óleo & Gás e Biocombustíveis de abril de 2026, destacamos que a persistência do impasse em relação à livre navegação no Estreito de Ormuz podem provocar um desequilíbrio mais grave nos fundamentos de oferta e demanda de petróleo, embora, no curto prazo, condições prévias de elevada produção e dissipação dos volumes remanescentes da recuperação pós-pandemia da demanda global contribuíram para a resiliência do mercado diante do choque atual.

A oferta global de petróleo poderá cair, em média, 3,9 MMbbl/d em 2026 segundo a Agência Internacional de Energia. A nova estimativa ocorre após o declínio mais acentuado da produção registrado em abril de 2026, acumulando perdas de 12,8 MMbbl/d desde fevereiro de 2026, quando se iniciou o conflito entre Estados Unidos e Irã. As perdas nos países do Golfo Pérsico já alcançam 14,4 MMbbl/d, indicando, contudo, algum alívio para o mercado internacional com o aumento da produção e das exportações de países das Américas, como Estados Unidos, Canadá e Venezuela, além de Cazaquistão e Rússia.

Os preços spot do barril de petróleo mantiveram trajetória de crescimento em abril de 2026. O preço WTI aumentou 9,8% no mês, atingindo US$ 100,32/barril, reforçando a trajetória de alta de 41,6% registrada em março. Já o preço Brent avançou 13,7% em abril, alcançando US$ 117,29/barril, após a valorização de 45,5% observada no mês anterior. O forte aumento dos preços no mercado spot (voltado à entrega imediata) e o descolamento em relação aos contratos futuros sinalizam um quadro extremo de aperto de oferta no curto prazo, motivado pelas interrupções logísticas no Oriente Médio.

Nesse contexto, a corrida global por petróleo disponível imediatamente levou agentes a pagarem, em abril, prêmios superiores a US$ 25/barril comparado ao contrato futuro mais próximo, aprofundando a estrutura de backwardation. Em outras palavras, o mercado precifica uma escassez aguda no presente, mas ainda opera com a expectativa, em médio prazo, de que a interrupção no Estreito de Ormuz seja temporária, diante da possibilidade de reorganização dos fluxos comerciais, ampliação da produção global e liberação de estoques.

No Brasil, os preços de revenda de combustíveis continuam sendo impactados, em abril de 2026, pela volatilidade no mercado internacional de petróleo. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (ABICOM) informou ao mercado que a defasagem entre o preço praticado no país e a paridade internacional permaneceu negativa em todos os dias de abril de 2026 tanto para o Óleo Diesel, atingindo a média de R$ 2,24/L, quanto para a Gasolina, em R$ 1,41/L. Para o Óleo Diesel, a defasagem negativa caiu R$ 0,51/L em comparação a março de 2026, enquanto no caso da Gasolina, a defasagem negativa aumentou R$ 0,35/L no mesmo período.

Boa leitura!

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