No Informe de Óleo & Gás e Biocombustíveis de fevereiro de 2026, destacamos como o conflito no Oriente Médio reintroduziu bloqueios físicos ao mercado global de petróleo e gás, gerando efeitos imediatos sobre os preços do petróleo, de um patamar de US$60-70 ao longo de fevereiro até superar a faixa dos US$ 80, US$ 90, US$ 100 e US$ 110 nas três semanas seguintes ao ataque de 28 de fevereiro. O aumento rápido e consecutivo do preço é impulsionado pela paralisação parcial ou integral de instalações de produção de petróleo e gás, refinarias, dutos e terminais no Golfo Pérsico, devido tanto a ataques diretos quanto à negação parcial do uso do mar pelo Irã, impedindo o fluxo estável do transporte de petróleo, GNL e combustíveis através do Estreito de Ormuz.

A oferta global de petróleo, em março 2026, pode sofrer uma queda abrupta de 7,9 MMbbl/d em petróleo bruto e até 9,9 MMbbl/d incluindo outros líquidos, o que a Agência Internacional de Energia classifica como “a maior perturbação no abastecimento da história do mercado petrolífero global”. A baixa na oferta só não é pior devido ao crescimento na produção de países não-OPEP+, além da Rússia e do Cazaquistão. A extensão das perdas em produção ainda deve impactar as estimativas sobre a oferta média global para 2026, que por ora podem crescer em média 1,1 MMbbl/d, bem abaixo dos 2,4 a 2,5 MMbbl/d projetados antes da eclosão dos ataques. Em relação ao mercado global de gás natural, a tensão geopolítica pode influenciar o tênue equilíbrio entre a oferta de gás e os preços praticados nos principais polos de consumo. Desde o início do conflito, cerca de 19% da oferta global foi afetada.

Para o Brasil, estamos de olho no mercado de combustíveis. As vendas de combustíveis no país somaram 12,62 bilhões de litros em janeiro de 2026, diminuição de 9,6% frente ao mês anterior. No mesmo período, as distribuidoras comercializaram 5,20 bilhões de litros de óleo diesel, retração mensal de 4,1%. Para 2026, estima-se um consumo de óleo diesel de 71,89 bilhões de litros, com um consumo médio mensal de 5,99 bilhões de litros, avanço de 3,5% frente a 2025.

Boa leitura!

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