Corredor de recarga permite viagem com carro elétrico

BMW i3 sendo recarregado em shopping de SP (Eduardo Anizelli - 23.jun.2015/Folhapress)

As montadoras têm anunciado planos grandiosos rumo à eletrificação de seus veículos, tema que interessa também às concessionárias de energia. São essas empresas que estão investindo em corredores de recarga no Brasil, de olho no futuro.

A BMW, que é pioneira no segmento de carros elétricos no Brasil, ajusta os últimos detalhes para a instalação de eletropostos ao logo da rodovia Presidente Dutra.

O objetivo é possibilitar uma viagem sem medo de ficar parado no meio do caminho. Atualmente, a autonomia rodoviária de um carro elétrico como o modelo BMW i3 é de aproximadamente 150 quilômetros.

A iniciativa é feita em parceria com a empresa de energia portuguesa EDP. Os seis primeiros pontos de recarga serão instalados em postos de combustível da rede Ipiranga até o fim do primeiro trimestre de 2018. O investimento é de R$ 1 milhão.

Segundo João Veloso, diretor de comunicação da BMW do Brasil, será possível carregar 80% da bateria em cerca de 20 minutos.

"Não teremos um ponto exclusivo para carros da nossa marca, haverá plugues compatíveis com modelos de outras montadoras", afirma Veloso. Métodos de cobrança ou benefícios para proprietários dos elétricos BMW ainda não foram divulgados.

Outras estradas que já possuem boa infraestrutura estão nos planos de expansão da montadora alemã. Rodovias que ligam São Paulo a cidades do interior devem ser as próximas a receber um corredor elétrico de recarga.

Hoje, a CPFL Energia já conta com dez eletropostos públicos na região de Jundiaí e Campinas, no interior paulista. Além de tomadas em shoppings e na sede da empresa, há pontos em postos da rede Graal nas rodovias Anhanguera e Bandeirantes. O corredor permite recarregar o carro em uma viagem de ida e volta a São Paulo.

FROTA CARA

Até 2019, o Brasil terá ao menos quatro carros elétricos de porte médio ou compacto. Além do i3, chegarão o Volkswagen e-Golf, o Chevrolet Bolt e o Nissan Leaf. Mesmo com mais incentivos a esses carros não poluentes, os valores não devem ser inferiores aos R$ 160 mil pedidos pelo modelo da BMW.

A barreira do preço segura a expansão do segmento, dando tempo para adequar o fornecimento de energia.

De acordo com Tatiana Bruce, pesquisadora da FGV Energia, a demanda por eletricidade não seria tão alta quanto o especulado. Sua conclusão é baseada no Relatório de Mobilidade Elétrica elaborado pelo Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

"Quando os carros 100% elétricos forem parte significativa da frota brasileira, a tecnologia e a regulação do setor terão evoluído de forma que recargas desordenadas, que elevariam perigosamente a demanda de pico, não serão a norma", explica Tatiana Bruce, por meio de nota.

Segundo estudo da CPFL, se o Brasil tiver 10% da frota composta por veículos elétricos em 2030, o impacto das recargas na rede de energia será de, no máximo, 1,6% de acréscimo sobre a demanda.

Fonte: Folha Online - SP