Petrobras pretende reduzir sua participação em refino

Parente: ' A proposta ainda não está fechada e foi aberta à discussão publica.'

Está nos planos da Petrobras reduzir 75% sua participagáo no mercado nacional. Hoje, a estatal controla 99% do refino no país. com 13 refinarias. A proposta de reposicionamento já está em estudo. Informou nesta quinta-feira (19) ao mercado a petroleira. A proposta levou dois anos para ser elaborada e preve que estatal faça parcerias em duas refinarias no Nordeste e mais duas no Sul. Em cada uma delas, o parceiro terá 60%, e a Petrobras, 40%.

Segundo a companhia, a busca de parcerias na área de refino foi aprovada no Planejamento Estratégico (PE) da Petrobras e no Plano de Negócios e Gestáo (PNG) 2017-2021, reforçada no PNG 2018- 2022, conforme indicado na estratégia de "reduzir o risco da Petrobras, agregando valor na atuaçáo em E&P, Refino, Transporte, Logística, Distribuiçáo e Comercializaçáo por meio de parcerias e desinvestimentos." 

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, explicou que a proposta ainda não está fechada e foi aberta à discussáo pública pela importância estratégica para o fornecimento de combustiveis no Brasil.

O tema foi debatido em um seminário realizado nesta quinta-feira na Fundaçáo Gettilio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, e teve a panicipagáo do Ministério de Minas e Energia (MME), Agéncia Nacional do Petróleo (ANP), Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis (IBP) e outras entidades interessadas, com o objetivo de conhecer a visão desses atores sobre o tema e apresentar o seu modelo preliminar para as parcerias no setor.

A Petrobras explicou que o evento teve caráter técnico, sem o objetivo de anunciar uma decisão sobre o assunto. Nesse sentido, a estatal esclarece que o modelo preliminar que irá apresentar não conta com a aprovaçáo formal de seus órgãos de governança (Diretoria Executiva e Conselho de Administração ).

Refinarias contempladas no estudo

No Nordeste, as unidades que seráo divididas com parceiros são a Refinaria Abreu e Lima e a Refinaria Landulpho Alves, que têm uma capacidade de processamento de 430 mil barris de petróleo por dia. No Sul, serão a Refinaria Presidente Getúlio Vargas e a Alberto Pasqualini, com uma capacidade de 416 mil barris por dia.

"O modelo final não é importante apenas para a Petrobras, uma decisão de negócios. É importante para o país como um todo", disse Pedro Parente. Ele afirmou que parcerias são fundamentais para agregar valor à empresa.

As parcerias serão em refino e logística e incluem ativos logísticos associados as refinarias, o que engloba três terminais terrestres e dois aquaviários no Nordeste e três terminais terrestres e quatro aquaviários no Sul. Estudo prevê que os dois barris (Sul e Nordeste) serão oferecidos ao mercado simultaneamente e serão escolhidos parceiros diferentes para cada um.

Com as parcerias, a Petrobras manterá o controle de 100% sobre nove refinarias e 36 terminais no país, além dos 40% nas quatro refinarias e 12 terminais oferecidos ao mercado.

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis, Dédio Oddone, disse que o plano influenciará na velocidade com que mais agentes do mercado serão atraídos para o refino no Brasil. Ele prevê que a demanda por derivados de petróleo deve aumentar no país com a recuperação da economia. O que exigirá um mercado mais aberto, dinâmico e competitivo.

"A carga colocada sobre os ombros da Petrobras ficou grande demais", afirmou o diretor. "O Brasil é grande demais para que uma única empresa seja responsável por tudo na área de petróleo e gás".

Em março, a Petrobras divulgou seus resultados de 2017. A companhia teve prejuízo de R$ 446 milhões. O resultado significa o quarto ano de perdas. Porém, apesar do resultado negativo. esse foi o menor prejuizo dos últimos quatro anos da petroleira. Estatal atribuiu o resultado a vários fatores: gastos com despesas extraordinárias como o acordo de R$ 11,198 bilhões para encerramento da ação coletiva de investidores nos EUA, além da adesão a programas de regularizaçáo de débitos federais, que somaram R$ 10,433 bilhões, tiveram impacto significativo no resultado.

A estatal apresentou Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ) de R$ 12,99 bilhões, sendo que a expectativa era de R$ 23,9 bilhões. Ou seja, quase o dobro a menos.

Em 2017, a estatal registrou pelo quarto ano seguido o recorde de produçáo no Brasil e pelo teceiro ano consecutivo a meta de produção. O volume de produção total de petróleo e gás natural foi de 2 milhões 767 mil de barris de óleo equivalente por dia (boe), sendo 2 milhões 655 mil boe no Brasil, mesmo com a venda de ativos no Brasil e no exterior. Já a venda de derivados no país declinou 6% em comparação a 2016. A produção foi de 1 milhão 800 mil barris por dia (bpd) e a venda alcançou 1 milhão 940 mil bpd. devido ao aumento das importações por terceiros.

No ano passado, a companhia reduziu a dívida liquida para US$ 84.871 bilhões, menor valor desde 2012. "Com uma gestão ativa da dívida, também foi possível aumentar o prazo médio de vencimento de 7,46 para 8.61 anos e reduzir a taxa média de juros de 6.2% para 5.9%. Além disso, nossa despesa anual de juros caiu de R$ 25.6 bilhões em 2016 para R$ 223 bilhões ". Informou a estatal.

Fonte: Monitor Mercantil